Ferramentas gratuitas para pesquisa em saúde[email protected]@iplanneroficial

Pesquisa em saúde

Pesquisa com dados secundários do SUS: por onde começar

28 de outubro de 2026

Grupo de jovens pesquisadores conversando em volta da mesa

Pouca gente sabe, mas o Brasil tem um dos maiores conjuntos de dados públicos de saúde do mundo. Óbitos, nascimentos, internações, agravos de notificação e procedimentos ambulatoriais estão disponíveis para qualquer pessoa. Para quem está começando na pesquisa, é uma forma de produzir ciência relevante sem precisar de recrutamento, sem custo de coleta e com números de base populacional.

As principais bases

  • SIM: Sistema de Informações sobre Mortalidade, com as declarações de óbito e a causa básica.
  • SINASC: nascidos vivos, com dados da mãe, da gestação e do parto.
  • SIH/SUS: internações hospitalares pagas pelo SUS, com diagnóstico, procedimento, tempo de permanência e valores.
  • SINAN: doenças e agravos de notificação compulsória.
  • SIA/SUS: produção ambulatorial, incluindo quimioterapia e radioterapia.
  • CNES: estabelecimentos, leitos, equipamentos e profissionais.

Comece pela pergunta, de novo

O erro mais comum é baixar uma base inteira e ver "o que sai". Defina antes o desfecho, o período, o recorte geográfico e o que você quer descrever ou comparar. Tendência temporal da mortalidade por uma causa, distribuição espacial de um agravo ou desigualdade entre regiões são perguntas clássicas e muito bem aceitas.

TabNet ou microdados?

O TabNet monta tabelas prontas direto no navegador e resolve boa parte das perguntas descritivas. Os microdados trazem um registro por linha e permitem cruzamentos mais finos, mas pedem um programa estatístico e mais cuidado na limpeza. Para um primeiro trabalho, o TabNet costuma bastar.

Dica prática: guarde a data de extração e os filtros usados em cada tabela. Os dados do DATASUS são atualizados e corrigidos com o tempo, e os números do último ano podem mudar.

Cuidados que a banca vai cobrar

  • Taxas, não números absolutos: compare regiões e anos usando a população do denominador, de preferência com padronização por idade.
  • Qualidade do dado: causas mal definidas, campos ignorados e subnotificação variam entre estados e precisam ser discutidos.
  • Unidade de análise: no SIH, uma internação não é uma pessoa. Uma mesma pessoa pode ter várias.
  • Ética: dados públicos e anonimizados costumam dispensar apreciação pelo CEP, conforme a Resolução CNS nº 510/2016, mas confirme a regra da sua instituição.

Na prática, na iplanner

Depois de montar a tabela, a ferramenta de Estatística ajuda na análise e o Buscar Artigos encontra os estudos que já usaram a mesma base, o que facilita muito a discussão.

← Voltar ao blog