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Estatística

Qual teste estatístico usar? Um roteiro do desenho ao resultado

2 de novembro de 2026

Tela da ferramenta de análise estatística da iplanner

"Professor, qual teste eu uso?" é a pergunta que mais escuto de aluno de iniciação científica, de residente e também de quem já está no doutorado. A boa notícia é que a resposta quase sempre sai de três perguntas simples. A má notícia é que elas precisam ser respondidas antes da coleta, não depois.

Pergunta 1: que tipo de variável é o desfecho?

  • Categórica (sim ou não, óbito, estadiamento): você vai comparar proporções.
  • Numérica (idade, pressão arterial, escore de escala): você vai comparar médias ou medianas.
  • Tempo até um evento (tempo até recidiva, sobrevida): você está no campo da análise de sobrevida.

Pergunta 2: quantos grupos você está comparando?

Dois grupos, como tratado e controle, pedem um tipo de teste. Três ou mais grupos, como faixas de IMC, pedem outro. Fazer vários testes de dois em dois aumenta a chance de achar diferença por acaso.

Pergunta 3: as medidas são independentes ou pareadas?

Pessoas diferentes em cada grupo são amostras independentes. A mesma pessoa medida antes e depois, ou olho direito e esquerdo do mesmo paciente, são medidas pareadas. Ignorar o pareamento é um dos erros mais comuns que aparecem na revisão por pares.

Juntando as respostas

DesfechoDois grupos independentesTrês ou mais gruposPareado
CategóricoQui-quadrado ou exato de FisherQui-quadradoMcNemar
Numérico com distribuição aproximadamente normalt de StudentANOVAt pareado
Numérico assimétrico ou ordinalMann-WhitneyKruskal-WallisWilcoxon
Tempo até eventoKaplan-Meier com log-rankLog-rankModelos específicos

Dica prática: normalidade não se decide só com o teste de Shapiro-Wilk. Olhe o histograma, compare média e mediana e pense no tamanho da amostra. Em amostras grandes, o teste acusa desvios sem importância prática.

E quando há confusão?

Quando outras variáveis podem explicar a associação, como idade, sexo ou comorbidades, o teste bivariado não basta. Aí entram os modelos de regressão: linear para desfecho numérico, logística ou de Poisson para desfecho categórico e Cox para tempo até evento. O teste bivariado continua útil para a tabela descritiva, mas a conclusão vem do modelo ajustado.

Não esqueça o tamanho do efeito

Um valor de p diz se a diferença provavelmente não é obra do acaso. Ele não diz se a diferença é grande ou relevante. Sempre informe a medida de efeito com intervalo de confiança: diferença de médias, razão de chances, razão de prevalências ou hazard ratio.

Na prática, na iplanner

A ferramenta de Estatística segue esse mesmo raciocínio, do desenho ao resultado. Você informa o tipo de dado e o desenho e chega ao teste adequado com a interpretação. Se quiser estudar com calma, o livro gratuito da iplanner explica cada passo sem fórmula desnecessária.

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