Escrita científica
Texto que soa como IA: o que o revisor percebe e como corrigir
26 de outubro de 2026
Usar inteligência artificial para revisar gramática, traduzir ou organizar ideias já faz parte da rotina de muita gente. O problema aparece quando o texto final fica com aquela cara de que foi escrito por uma máquina. Editores e revisores leem dezenas de manuscritos por mês e reconhecem esse padrão rápido. E a primeira impressão pesa.
As marcas mais comuns
- Palavras de efeito sem conteúdo: "crucial", "fundamental", "notavelmente", "no cenário atual", "desempenha um papel importante".
- Frases de abertura genéricas: "Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente em..."
- Listas de três: tudo vem em trios, como "eficaz, seguro e acessível".
- Contrastes forçados: "não se trata apenas de X, mas de Y".
- Travessões e ponto e vírgula em excesso, raros na escrita acadêmica brasileira do dia a dia.
- Conclusões que repetem a introdução com outras palavras e não acrescentam nada.
Por que isso importa
Além da impressão ruim, texto genérico costuma esconder falta de precisão. "Os resultados foram significativos" diz menos do que "a mortalidade caiu 2,1% ao ano entre 2010 e 2022". Revisor gosta de número, de método claro e de frase direta.
Dica prática: leia o parágrafo em voz alta. Se você não falaria daquele jeito numa aula ou numa apresentação de congresso, reescreva.
Como corrigir
- Troque adjetivos por dados.
- Comece a introdução pelo problema concreto, com número e fonte.
- Corte frases que só anunciam o que vem a seguir.
- Mantenha os termos técnicos da sua área, mesmo que repetidos. Sinônimo demais confunde.
- Confira as políticas da revista sobre uso de IA e declare o uso quando for pedido.
Na prática, na iplanner
O Revisor de texto aponta os trechos que soam como IA para você reescrever com a sua voz. Ele não substitui a sua leitura, mas encurta muito o caminho até um texto que parece seu, porque é.
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